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REFERÊNCIA DO PROJECTO
INVESTIGADOR RESPONSÁVEL
Cristiana Lage David Bastos
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TÍTULO
A ÁGUA COMO AGENTE TERAPÊUTICO: ETNOGRAFIA COMPARADA DAS TERMAS EM PORTUGAL E NO BRASIL
WATER AS THERAPY: COMPARATIVE ETHNOGRAPHY OF THERMAL SITES IN PORTUGAL AND BRAZIL
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ÁREA CIENTÍFICA DE AVALIAÇÃO
UNIDADE DE I&D RESPONSÁVEL PELO PROJECTO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
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INSTITUIÇÃO PROPONENTE
Universidade de Lisboa - Instituto de Ciências Sociais - ICS
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OUTRAS INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES
Centro de Estudos de Antropologia Social - CEAS
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FINANCIAMENTO ATRIBUIDO
OBJECTIVOS SÓCIO-ECONÓMICOS
Promoção geral dos conhecimentos (investigação fundamental sem objectivo sócio-económico discriminado)
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PALAVRAS-CHAVE
Antropologia Médica
Termalismo
Doença crónica
Género
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LISTA DOS INVESTIGADORES DOUTORADOS
[% de tempo completo no projecto] [Pessoa mês no projecto] [D: investigador com grau de Doutor]
Cristiana Lage David Bastos [25%] [6] [D]
Flávio Edler Coelho [5%] [1] [D]
Fabienne Wateau [5%] [1] [D]
Maria Manuel Correia de Lemos Quintela [50%] [12]
one research assistant [100%] [24]
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NÚMERO DE ELEMENTOS DA EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO
NÚMERO DE ELEMENTOS DOUTORADOS NA EQUIPA
RESUMO DO PROJECTO
Esta investigação propõe-se abordar dimensões sociais, culturais e históricas do termalismo através de um estudo comparativo do uso terapêutico das águas e estâncias termais em Portugal e no Brasil, dando particular atenção às questões da experiência da doença, escolhas de sistemas de tratamento, representações do corpo, e género.
O termalismo é em Portugal uma actividade económica com vertentes turística e terapêutica, assistindo-se na última década à implementação de programas específicos de termalismo incluídos no "turismo de saúde". Muitos dos frequentadores das estâncias termais portuguesas, maioritariamente mulheres, auto-representam-se como afectados por doenças crónicas como o reumatismo e doenças dos foros respiratório e gastro-intestinal. Sabe-se que os indivíduos com uma história de doença crónica têm também uma história da utilização dos serviços de saúde e de práticas de saúde que varia de acordo com a eficácia simbólica que atribuem a cada uma destas práticas e com as suas representações de saúde, doença e corpo (cf. Kleinman 1988).
A razão por que tantos portugueses escolhem a água e as termas como meio terapêutico coloca uma questão interessante, já abordada na literatura actual sobre a dor, a experiência da doença, as opções terapêuticas, as representações do corpo e o género (Good 1994, Kleinman 1994, 1995; Jackson 1994). A investigação anterior numas termas portuguesas (Quintela 1999) indica que a ênfase dada à dor pelos aquistas (sobretudo mulheres) revela o carácter central daquela no seu sistema de comunicação. Estes resultados, suportados pela bibliografia existente, são ainda preliminares e merecem desenvolvimento. Este projecto propõe-se aprofundar esta problemática, cruzando a dor, a experiência da doença, as escolhas dos sistemas de saúde e o género no âmbito do termalismo, através do estudo comparativo de 3 termas (2 em Portugal e 1 no Brasil) cuja água termal seja indicada para o tratamento das doenças crónicas dos foros gastro-intestinal e osteo-articular.
São ainda objectivos: 1) completar a história do termalismo em Portugal descrita na literatura apenas até 1992 (Ferreira 1994) e perceber porque a institucionalização da hidroterapia no Brasil data de 1818, quando em Portugal só acontece em 1892; 2) perceber porque são as mulheres as principais utilizadoras das termas em Portugal, e saber se o mesmo ocorre no Brasil, estudando empiricamente a relação entre género/experiência da doença/opções terapêuticas; 3) estudar os usos terapêuticos da água e respectivas representações em Portugal e no Brasil; 4) compreender as representações sócio-culturais da água enquanto medicamento de ingestão e tratamento de imersão; 5) contribuir para uma antropologia médica do termalismo, enfatizando a experiência da doença crónica e os usos da água como agente terapêutico; 6) caracterizar as culturas médicas envolvidas nos tratamentos; 7) identificar práticas de lazer utilizadas pelos indivíduos nas termas e como estas contribuem para o desenvolvimento local; 8) contribuir para o conhecimento dos sistemas de saúde português e brasileiro, estudando os itinerários terapêuticos dos aquistas; 9) integrar dados comparativos de Portugal e Brasil na literatura internacional da antropologia médica.
Métodos:a) inquéritos aos concessionários das águas e administração local; b) entrevistas a utentes, médicos, população local, agentes de turismo; c) observação-participante do ciclo que se organiza em torno do tratamento termal (locais de tratamento e alojamento, fontanários, lazer e culto)
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